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A Nova Escócia vai lhe encantar!

Como programar uma viagem de poucos dias para a lindíssima Nova Scotia.

Que tal ouvir esta música para entrar no clima deste texto? 🙂

O Canadá é composto de 10 províncias e 3 territórios, assim como o Brasil é composto de 26 estados. A Província de Nova Scotia (ou, Nova Escócia em português) é a segunda menor com um território de cerca de 55 mil km2, mais ou menos o tamanho do estado da Paraíba. Com cara de ilha e banhada pelo Oceano Atlântico por quase todos os lados, esta província com certeza ganhou meu coração!

Quando começamos a programar uma viagem de alguns dias para lá no entanto, nos deparamos com uma infinidade enorme de coisas para visitar e nos vimos em um dilema do que escolher para nossos míseros 3 dias de visita! Se você está planejando passar por lá em uma visita ao Canadá ou em fazer uma viagem de carro para lá saindo de alguma outra cidade do Canadá e está em dúvida do que fazer, quero compartilhar lugares que fui (ou não) e que indico (ou não) para uma visita rápida como esta a este lugar espetacularmente lindo! Mas já aviso, a Nova Escócia merece um mês!

 

Halifax

Halifax é a capital da Nova Escócia e a maior cidade da Província com cerca de 415 mil habitantes. Não ficamos hospedados em Halifax, e aí já está a primeira dica. Se você assim como eu e meu marido, curte mais a ideia de ficar perto do oceano em um lugar mais retirado, Halifax não é o lugar para se hospedar. Agora se você quer um QG mais urbano e cheio de opções de lazer (o que não falta em Halifax) para a sua estadia em Nova Scotia, Halifax tem uma infinidade de Hotéis bem localizados para se hospedar, sem mencionar os Airbnbs.

Passamos apenas cerca de 4 horas no centro da cidade infelizmente. Conhecemos a famosa Harboufront, almoçamos no Stayner’s Wharf (eles tem pátio pet-friendly, experimentem o fish cake deles) tomamos um café e comemos um chocolate coockie indescritivelmente delicioso no Grounded Coffee Bar e andamos até Norwegian Memorial Stone, com direito a visita de águas-vivas perto da passarela que te leva para o meio do mar.

Halifax é encantadora, mas não posso fazer justiça a tudo o que a cidade tem para oferecer uma vez que passamos pouco tempo lá. Como optamos por viajar com nosso cachorro, deixamos de lado vistas a museus, a famosa Citadel, ou pegar o ferry, vai ficar para a próxima!

Minhas impressões pessoais: A atmosfera de Halifax é muito diferente de qualquer outra cidade canadense que já conheci. Apesar de Vancouver, BC ser com certeza bem diferente de Ottawa ou Toronto, por exemplo, consegui achar mais semelhanças entre Vancouver e cidades em Ontario do que qualquer uma delas com Halifax. A província tem realmente uma forte influência escocesa, britânica e irlandesa, tanto que em muitos trechos de Halifax lembrei muito de Boston, USA (uma cidade também com forte presença irlandesa).

Indico passar no mínimo um dia inteiro em Halifax!

 

Praias

A Província de Nova Escócia tem muitas praias e sim, você vai achar praias com ondas e areia de verdade como temos no Brasil, porém, a temperatura da água é BEM gelada! A praia que escolhemos para visitar por primeiro foi a Conrad’s Beach. Uma das principais razões porque escolhemos ela foi o fato de ser pet friendly. Como foi bom ser saudada pelo Oceano Atlântico do lado de cima do equador! Uma praia boa para passar um dia inteiro, pena que a água do mar é muuuuuito gelada, ninguém estava dentro do mar neste dia! Apenas fique bem alerta com a questão do estacionamento em Conrad’s Beach, é melhor chegar antes das 10 da manhã.

Há muitas outras praias e achei neste site uma lista com todas as praias pet-friendly se lhe interessar.

Minhas impressões pessoais: Em Conrad’s Beach me senti quase em uma praia do sul do Brasil com areia de verdade, som das ondas e sabendo que eu estava no mesmo mar que banha nosso Brasil. Me senti assim até… deixar as ondas tocarem os meus pés! É como se há alguns metros dalí tivesse uma geleira! Nem meu cachorro quis se aventurar na água.

Indico uma visita a Conrad’s Beach, principalmente se você está procurando por uma praia com areia de verdade!

 

Duncan’s Cove e a trilha

Duncan’s Cove é onde ficamos hospedados pelo Airbnb! Chegamos em uma sexta por volta das 21h com uma névoa tão densa que não nos permitiu ja dar um oi para o mar, porém, enquanto estávamos descarregando as coisas do carro fomos saudados pelo som de uma foghorn de um Farol próximo, seguido do som de um navio que era provavelmente muito grande! Foi lindo!

Halifax é cheia de pequenas baias chamadas de “Cove”, estes lugares vão lhe proporcionar uma outra experiência do Oceano Atlântico. Se é chamado de Cove e não de Beach, esqueça realmente o conceito de praia que nós brasileiros conhecemos. As Coves geralmente são compostas por uma costa rochosa com provavelmente algum Farol por perto e floresta. São lindas! Aconselho muito a ficar hospedado ou pelo menos conhecer alguma Cove!

A trilha de Duncan’s Cove é uma mistura de caminhada em floresta, rochedos e planícies com o mar ao seu lado. A entrada desta trilha fica em uma propriedade particular e ela é bem grande e te leva até um pequeno observatório de guerra abandonado. Se você gosta de trilhas eu indico não deixar de lado esta trilha. Foi o ponto alto de nossa viagem!

 

Minhas impressões pessoais: A trilha de Duncan’s Cove foi simplesmente uma das trilhas mais lindas que já fiz em toda minha vida até o momento! No início da trilha avistamos ao longe no mar, um barco enorme (provavelmente um cruzeiro) envolto por névoa e usando sua buzina, foi algo inesquecível! As Coves e fisherman villages de Nova Scotia proporcionam uma comunhão muito diferente com o mar!

Sem sobra de dúvidas indico uma visita a trilha de Duncan’s Cove

 

Lunenburg

Lunenburg é uma pequena cidade portuária que, em 1995, foi designada patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO, talvez por isso que quando você fala que vai para a NS, todo mundo lhe aconselha visitar Lunenburg. Terra dos nativos Mi’kmaq e dos Acadianos, o que podemos entender pela história, é que os ingleses chegaram dando um chega pra lá nos dois povos e se estabeleceram ali e colonizaram o lugar. Enfim, coisas da história infelizmente. A cidade é um xuxuzinho! Cheia de casinhas coloridas, barquinhos atracados, restaurantes, lojinhas e um Museu. Infelizmente ela ficava um pouco afastada de todos os pontos que estávamos pensando em visitar, mas não tão afastada de Peggy’s Cove. Quando em Lunenburg, não deixe de ir até as imediações do clube de Golf Bluenose para ter uma vista panorâmica da cidade. Pelo fato de que investimos quase 3 horas no carro contando ida e volta para a cidade, se eu fosse refazer está mesma viagem a Nova Scotia seria o único lugar que eu eliminaria do roteiro. Mas não me entenda mal, ela transborda de razões para uma visita, mas precisa ser com tempo!

Minhas impressões pessoais: Sinta-se como que em um livro de história das grandes expedições no Atlântico, andando por Lunenburg. Uma mistura de beleza e história que é bem convidativa.

Não indico uma visita a Lunenburg em uma viagem curta a Nova Scotia. Sim ela é linda, mas acho que eu dedicaria mais tempo a outros lugares e apenas visitaria Lunenburg se eu tivesse no mínimo 5 dias para a viagem toda.

 

Peggy’s Cove

É fácil entender porque  Peggy’s Cove é tão famosa e é um dos cartões-postais da Nova Escócia. Acredito que uma viagem a Nova Scotia não é completa sem uma visita a Peggy’s Cove, o lugar é realmente deslumbrante! E não apenas o Farol, mas toda a costa rochosa, as casinhas encarando o Oceano Atlântico e as muitas armadilhas de Lagostas largadas como que de propósito para aumentar o estereótipo que todo mundo que mora ali, deve ser pesador de Lagosta!

Com uma população de 640 pessoas, esta pequena baia é tão lindinha que ao sentar no rochedo perto do famoso farol, você sente que precisa ficar ali um pouco para absorver a beleza do lugar. Porém, contudo, todavia, entretanto, como todo lugar muito lindo e turístico, prepare-se para uma massa de turista fazendo o mesmo que você. Aliás Peggy’s Cove foi o único lugar em toda a nossa viagem que nos sentimos um pouquinho sufocados com a quantidade de turistas. Fomos no fim da tarde, perto do por-do-sol que é lindo, talvez um horário que muitos escolhem para ir. Talvez seja melhor ir o mais cedo possível no dia.

Minhas impressões pessoais: Em Peggy’s Cove me senti como que entrando em um quadro, como se fizesse parte de uma linda obra de um artista. As muitas armadilhas de Lagostas espalhadas perto das casas dão uma boa ideia do que consiste a vida ali.

Indico uma visita a Peggy’s Cove com certeza, mas quem sabe melhor chegar bem cedinho.

 

Halls Harbour, a Baia de Fundy (e as marés mais altas do mundo)

Foi quando eu ainda morava no Brasil e e há alguns anos atrás lia sobre o Canadá, que fiquei sabendo pela primeira vez sobre as marés da Baia de Fundy. Esta região de baia compreendida entre New Brunswick e Nova Scotia, contém as famosas maiores variações de marés do mundo! São inimagináveis 115 bilhões de toneladas de água que fluem todo dia, duas vezes por dia entre a maré alta e a maré baixa. Eu não vou tentar falar muito sobre este fenômeno em si, uma vez que muitos textos já o fizeram com muita maestria aqui, aqui e aqui por exemplo. Sinceramente, somente vendo para realmente entender a magnitude deste fenômeno.

Há muitos lugares para ver tal fenômeno, e elegemos Halls Harbour por ser mais perto e um tanto quanto no caminho de começar a nossa volta. Mas ainda quero voltar lá em Joggins Fossil Cliffs (também um patrimônio natural mundial pela UNESCO) para ver os fósseis que são expostos nas marés baixas! Deve ser incrível!

Halls Barbour foi o lugar que elegemos para finalmente comer uma Lagosta (outra coisa que é quase obrigação em uma viagem para a Nova Escócia). Ah, e como ficamos felizes com nossa escolha. A experiência de levar sua lagosta viva em uma bandeja para a cozinha, pode ser muito para alguns, para mim foi intensa! Sentimentos confusos. Mas pelo menos você tem certeza de estar comendo algo realmente e extremamente fresco! E estava uma delícia!

Foto tirada na maré baixa a 1 da tarde
Foto tirada as 3:45 da tarde no pico da maré alta. Apenas duas horas e 45m depois!

 

Minhas impressões pessoais: Você se sente pequeno ao estar presenciando um grande fenômeno da natureza! E há algo que fala conosco em momentos assim se dermos ouvidos! Ver as marés da Baia de Fundy foi algo memorável!

Indico uma visita a Halls Harbour. Mas, mesmo sem ter visitado ainda, acredito que a região de Joggins Fossil Cliffs valha mais a pena!

 

Cape Breton e a Cabot Trail 

Não foi desta vez que conhecemos Cape Breton (ou, Cabo Bretão em português). E por isso não vou poder falar deste lugar. Mas posso, mesmo sem ter ido, indicar o loop de Cape Breton de carro em uma viagem a Nova Escócia. É um lugar lindo demais, uma das estradas mais cênicas do Canadá, mas certifique-se de reservar tempo, pois a ilha de Cape Breton fica longe e é preciso pelo menos um dia inteiro para uma boa visita.

 

Dirigir de Ottawa até Halifax 

Sim, nós dirigimos os assustadores 1468km entre uma cidade e outra! E com nosso cachorro no banco de trás! E a questão financeira foi um dos principais motivos. Calcule comigo:

Passagem ida e volta para Halifax, saindo de Ottawa aprox. = CAD 300,00 /por pessoa. (o mesmo vale para Montreal)

Locação de carro para 4 dias aprox.=  CAD 350,00

Combustível, vamos prever cerca de dois tanques cheios, cerca de = CAD 110.

Para dois adultos o transporte desta viagem sai cerca de  = CAD 1.050,00.

Pois nós gastamos cerca de CAD 350,00 em combustível! Uma economia de CAD 700 acho que é bem vinda!! Claro que 16 horas no carro na ida e mais 16 na volta não são bem-vindas, mas fica aí a escolha para quem mora em Montreal, Gatineau, Ottawa ou imediações.

Indico o itinerário que nos usamos, ida:

Dia 1: Saída de casa as 17h, 7 horas no total (contando paradas), hospedagem em Riviere-du-Loup em Quebec (em um Hotel simples mas muito bom e limpinho, recomendo). Lugar muito estratégico para parada uma vez que marca o momento onde você para de rumar ao norte e começa a rumar a leste.

Dia 2: Cerca de 10 horas e meia de viagem (contando paradas) de Riviere-du-Loup até Duncan’s Cove, onde ficamos hospedados. (o mesmo vale para Halifax)

Volta:

Dia 1: Partímos as 17h de Halls Harbour e dirigimos cerca de 7 horas até Woodstock, New Brunswick onde chegamos  e nos hospedamos por volta de 23:30.

Dia 2: Cerca de 11 horas de viagem de Woodstock, NB. até nossa casa em Ottawa. (Evite a região de Montreal entre 3 e 6pm!)

Minhas impressões pessoais: Fiquei encantada com as maravilhas naturais do trecho de estrada entre Riviere-du-Loup, QC e Edmunston, NB. Certifique-se de passar por este trecho da estrada durante o dia. Se for dirigir a noite em New Brunswick, tome um cuidado extra com a possível presença de Alces na pista, você motorista, acione os olhos de um(a) co-piloto(a) ao seu lado como fizemos.

Indico sim fazer esta road trip! Separe muitos Podcasts 😉

P.S: Nossa cadelinha se comportou muito bem e dormiu quase o tempo todo com o A/C ligado caso vocês estejam se perguntando 🙂

 

Concluindo

Há muitos outros lugares para conhecer em Nova Scotia, visitação a fósseis em rochedos naturais, a região dos acadianos, o parque nacional de Cape Breton,  vinhedos, a trilha de Cape Split e muito, muito mais! Espero que com este artigo, você que mora no Brasil, ou brasileiros que moram no Canadá, tenham sido inspirados a programar uma viagem para esta jóia do Atlântico!

A Nova Escócia sem dúvida ganhou meu coração, ganhou minha admiração e minha contemplação! Foi em toda a minha vida, um dos poucos lugares onde, ao ir embora, eu realmente senti tristeza profunda, quase como se ir embora de lá fosse contra a minha natureza! Só penso em voltar 🙂

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Written by Hellen Weinschutz Mendes

Nascida na boa safra de 1982 em Curitiba e residindo atualmente em Ottawa no Canadá. Bióloga, sempre curiosa, doutoranda, esposa, amante da natureza, apaixonada por viagens e dona de uma cachorrinha de orelhas macias.

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