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Bibo pai e Bobi filho

Meu pai é uma figura. Quem conhece o ser sabe do que eu estou falando.

Pensa num cara animado, sempre! Com ele não tem tempo ruim. Sempre que houve algum problema em casa, independente do tipo, ele sempre começava a expressar sua opinião com a primeira palavra prolongada: “nããããããooo filho, não é assim, calma!” ou “maaaaaaaaaassss se você fizer desse jeito nunca vai dar certo! Olha aqui…” É o jeito dele de apaziguar e fazer com que tudo fique bem. E até hoje é assim.

Meu pai me ensinou que não existe história ou piada ruim. Se você contar com empolgação (mas MUITA empolgação), e de preferência, se você começar a rir do meio em diante, o sucesso é garantido. Ele foi bancário trocentos anos, então pensa que ele sabe toda sorte de piadinhas sem graça. E é claro, se ele te conta alguma dessas piadinhas, você ri, e muito.

Ele sempre inventa alguma palavra escalafobética. Exemplo? Ele me chama de Churuga. O que seria isso e de onde ele tirou, ninguém sabe. Nem ele, provavelmente. Ou então ele junta palavras aleatórias para chamar eu e meu irmão. Exemplo? Ele me chama de StarScream (Transformers) Jedi. Isso sem contar, é claro, que quando ele chama a gente dessa forma, parte da conversa será num inglês inventado por ele mesmo (e faz isso até hoje). É indescritivelmente sensacional, engraçado e sem sentido.

Meu pai me ensinou desde pequeno a apreciar filmes e músicas diferentes. Ouvi muita música italiana na minha infância. Achava diferente, imponente. Claro que víamos filmes de Hollywood, mas aprendi a gostar de cinema europeu também, especialmente os filmes chamados de spaghetti italiano, que são os clássicos filmes de faroeste.

Também me ensinou a gostar de ler, tanto quadrinhos quanto livros. Na minha infância tive incontáveis gibis da Turma da Mônica e da Disney, além, é claro, de Recruta Zero, Astérix, Fantasma, Mandrake e Groo. Um dia ele apareceu em casa com uma coleção gigante de livros de capa preta: era uma enciclopédia. Cara, aquilo era sensacional! Lembro de passar dias e mais dias lendo aqueles livros. Era muito mais interessante que a escola!

Meu pai também me ajudou a gostar de humor, especialmente o humor nonsense, e também de desenhos animados. Na maior parte das vezes que íamos na locadora, voltávamos com uma comédia e com algum desenho do Frangolino ou do Papa Léguas. E mesmo que já tivéssemos visto 50 vezes cada desenho daqueles, sempre assistimos e rimos da mesma maneira. Aliás, seu pai gosta de Freakazóid? Então, o meu ficou em crise quando o desenho dele saiu do ar…

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Oi, meu nome é Freakazóideam!

Ele sempre foi um homem correto. Nunca deu um mau exemplo sequer dentro de casa. Sempre pagou as contas em dia, colocou comida na mesa, educou eu e meu irmão e amou minha mãe. Aliás, o casamento dos meus pais é uma inspiração para mim e muitas outras pessoas. Esse ano eles completam 38 anos de casamento, e acreditem, meu pai ainda trata minha mãe como uma princesa. Isso é fantástico!

Esse é um pequeno texto sobre meu pai. É uma fração do que ele é, uma fração bem pequena. Ele também é inteligente, emotivo, cabeção, pescador, sensato, bem-sucedido, equilibrado, prevenido, simpático, paciente… e ainda tem cabelo. Tudo isso e muito mais faz eu admirá-lo profundamente, a querer ser como ele. Eu o amo deveras!

Familia
Seu Chicão e sua vasta cabeleira

E você? Quem é o seu pai para você? Quem teve o papel de pai na sua vida e qual foi a marca que ele deixou?

Ps.: O título se refere ao antigo desenho Bibo pai e Bobi filho. Claro, Bibo é o seu Chicão e eu sou Bobi filho 😉

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Written by Chico Milk

Chico Milk nasceu em Guarapuava City Paradise. Um dos quatro seres viventes. Guitarrista low profile, amante de dias frios, chuvosos e cinzentos, bebedor nato de café com leite, leitor de livros e quadrinhos.

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