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Busão dos inferno

Estava eu indo para o trabalho de bike, e em Curitiba todo ciclista que se preza anda pela canaleta. Todo mundo sabe que isso é errado, mas como os ciclistas estão no topo da pirâmide de superioridade moral (bem ao lado de veganos e ativistas retóricos de assuntos alheios) estamos acima do certo e errado, então usamos a canaleta mesmo assim. E a grande sacada para não ser atropelado é andar na contra-mão do busão e sempre olhar para trás para ver o bi-articulado vindo pra ficar “ligado” do trânsito.

Então, numa dessas olhadas para trás vi em uma cena digna de um Mad Max (the fury canaleta). Surge bruscamente um bi-articulado “bem louco” ultrapassando outro, mas isso não seria tão anormal se não fosse o letreiro do itinerário do ônibus piscando um “FODA SE”, não é uma metáfora estava escrito letra por letra “F O D A S E”. A única coisa que consegui pensar foi: FODEU!. Imediatamente procurei um lugar pra me abrigar do apocalipse que estava pra acontecer. Pois isso era o mínimo que eu esperava de um bi-articulado onde o motorista deliberadamente coloca o letreiro em “FODA SE” e sai desembestado pela cidade. Pulei o meio fio da canaleta, pensei: não é suficiente, este louco pode subir o meio-fio e vir na contra-mão da rua ainda. Então, atravessei a rua e fui para de baixo de uma marquise pra me esconder atrás de um pilar grosso de algum prédio.

O que será que aconteceu com este Immortan Zé sair literalmente tocando o foda-se pela cidade? Certeza que preocupado com o trabalho ele já não estava, foi demitido? Foi chifrado pelo cobrador do alimentador? Eu já estava imaginando a manchete sensacionalista no outro dia: “Motorista corno mata meia cidade em um ataque de fúria após descobrir que a pomada para frieira era pasta de dente”, escrito em letras garrafais na primeira página de algum tablóide de quinta, desses que só se alimenta de sexo e sangue (“Linguiça News – a sua notícia mais barata, só R$1,50”) . A imaginação pode esperar, a urgência é pela sobrevivência. Apressei o passo e logo que me acomodei atrás do pilar de concreto olhei com expectativa para a ultrapassagem. Esperava ver um ônibus batendo na lateral do outro, em chamas, com os passageiros em pânico se jogando pela janela traseira. Mas isso não se concretizou.

Para meu desapontamento agora estava escrito no letreiro “SERVIÇO”. Eita, o que aconteceu? Então esperei mais um pouco e o letreiro virou: “FORA DE”, mais alguns segundos: “SERVIÇO”. Sacrebleu!!! Na verdade era eu que estava com o “foda-se” na cabeça e acabei lendo errado e transferindo a culpa para o medíocre do motorista. Enfim, mais um dia enfadonho indo para o trabalho.

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Written by Paulo Cordeiro

É um guarapuavano tão vadio, mas tão vadio, que pensou seriamente em sair do Kamellos só para não escrever este texto. Gosta de fazer massas com sua máquina panificadora e gostaria de ter inventado o Waze. Um dos 4 Seres Viventes.

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