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Casa na roça

Poema nostálgico sobre uma infância na roça de Minas Gerais

Toda vez que eu volto pra casa
Eu sinto o cheiro da minha infância
A roça está cheia de mato,
mas também cheia de lembrança…

O aroma do café torrado
era meu despertar da manhã.
Minha boca já salivava
ao ver o que vovó preparava!

O galo ainda nem tinha cantado,
e o Sol mal tinha despontado,
mas lá estava vovó cheia de vida
satisfeita com mais um dia pacato…

O jardim era sempre florido,
a flor de maio era flor até em outubro!
O beija-flor não sabia que néctar beber
Eram tantos para escolher…

Aquela terra era tão fértil,
que em mim germinou esse afeto
que por vezes cresce discreto
e me toma por completo!

A casa era bem antiga,
De uma janela azul eu já até caí!
No banco da sala um século de gente sentou
E aquela vista da serra todo mundo admirou…

Descia de carrinho pelo terreiro
No balanço de corda eu brincava o dia inteiro!
Fazia casinhas de carretéis de linha,
pra brincar não precisava dinheiro

Ao amanhecer eu abria a janela
O sol entrava de mansinho,
me convidava para mais um dia na roça
a ouvir o canto do sabiázinho
A vovó, feliz, logo chamava
pra eu escutar mais um “causinho”…

Hoje, vinte anos depois
eu ainda sinto esse cheiro de felicidade
os “causinhos” da vovó
ainda me enchem de saudade

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