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Dicionário de termos populares – Interior de Minas Gerais

Interior Minas
Vovó Dirce

Toda vez que converso com minha queridíssima avó Dirce (foto), me admiro com os interessantes termos populares (e regionalismos) que ela insere ao longo de seus muitos causos e histórias. Um belo dia eu pedi a ela que discorresse sobre algumas palavras por ela usadas e que são comuns na região onde vive. Estava curiosa e almejava um maior conhecimento da linguagem local de um município no interior de Minas Gerais. Anotei as palavras e termos, bem como seus significados e, depois de umas boas risadas, resolvi compartilhar esse pouquinho de cultura com você que está lendo esse texto agora.

Esses são alguns termos usados pelas pessoas da “roça” mineira e que me chamaram a atenção. Confesso que alguns eu inclusive uso! E adoro usar. Usando, passo para o interlocutor um pouquinho dos costumes de minha família e do povo da região. E que legal perceber que a influência brasileira na nossa língua portuguesa é ainda mais interessante, criativa e diversificada do que eu imaginava! Os neologismos, as palavras adaptadas, os significados, as origens variadas…

P.S.: Gostaria de informar que se por acaso queira procurar no dicionário, creio que muitas palavras não serão encontradas. Porém não são necessariamente neologismos de minha própria avó, uma vez que outros moradores do local também compartilham deste conhecimento. Alguns sim, acredito que vieram de sua mente fértil e alegre!

 

Anuviado: Diz-se da dificuldade que a pessoa sente para ver determinada coisa; como se tivesse uma nuvem impedindo a visão. “Olhei, olhei, mas não vi nada, tava com os olhos anuviados”.

Arranchar – Ato ou ação de ficar na casa de outra pessoa por muito tempo, se aproveitando da hospitalidade da pessoa;

Arredar – desviar-se lateralmente;

Atentado: bagunceiro;

Ativa: adjetivo que caracteriza aquele que é sadio, rápido, espevitado;

Atolar – Afundar-se e prender-se;

Barafunda: Mulher ou homem “fácil”;

Barrão: Pessoa gorda;

Bicho do mato: Pessoa tímida;

Bisca: Pessoa falsa, má;

Bobiça: Ou bobeira. Bobiça pode ser usado especificamente para caracterizar brincadeiras sem graça, embondos ou atitudes desnecessárias;

Bodoque – Estilingue;

Borrocar: manchar, sujar e/ou “customizar”;

Breganha: o correto é barganha, significando: troca!

Campiar:  Expressão usada em fazendas para procurar gado no campo; popularmente: procurar algo qualquer.

Cantar o carrinho: Falar mal dos outros;

Capioa: Pessoa que recarrega de hora em hora a sua tolice, sua jacuzice;

Carochar: Pode possuir vários significados, de acordo com o contexto. Exemplos: Enrolar, paquerar , contar mentiras, fazer trabalhos incorretamente;

Carrancudo: cara fechada, de mau humor!!

Carretão atolado – Sinônimo de arranchar;

Curisco: Aquele que é rápido e esperto;

Curuizcredo: “Cruz credo!”: interjeição utilizada para exclamar nojo, aversão ou repugnância.

Dar conta – Conseguir, ser apto. Quando uma pessoa não consegue executar uma ação, ou não é apto, diz-se que a pessoa “não deu conta”;

Derrigar – Ato teatral de encostar-se na parede e deslizar-se dramaticamente até sentar-se no chão. Executado em momentos de tristeza extrema.

Desandar: Ter diarréia.

Descanhotada – Aspecto do bêbado ao deitar-se em uma cama. Por exemplo, na frase “A Silvia estava descanhotada”, entende-se que ela estava bêbada, deitada na cama com os braços para um lado, pernas para o outro, boca aberta e babando;

Dilurimento – Diarréia;

Embatumado – Adjetivo específico para caracterizar bolos que não crescem.  Sinônimo de “encurrunhado”, mas para bolos;

Embondo – Atitudes supérfluas e desnecessárias;

Empirriada – Galinha choca.

Enchamprada: Adjetivo exclusivo para caracterizar bundas retas, sem curvas;

Encurrugado – Aspecto de pele seca e com rugas;

Encurrunhado: Adjetivo específico à culinária fracassada quando, por exemplo, um bolo não cresce e fica com aspecto murcho, diz-se que este esta “encurrunhado”.

Enquijilar – Não crescer. Usa-se o termo enquijilado para caracterizar pessoas que não cresceram muito;

Entornar: Derramar líquido;

Frango queipira: na verdade seria frango caipira;

Íngua: Sinônimo de puaia e/ou gente chata e irritante;

Jacú : Pessoa boba, lerda ou que acabou de cometer algum tipo de gafe;

Larida: (alarida) algazarra, gritaria, bagunça;

Lograr: enganar;

Mamú – Sinônimo de jacu, sambanga, bocó, pistolo e patureba;

Muncadinho: Diminutivo de pouco. Possui vários sinônimos: “tiquinho”, “cadinho”, “bocadinho”, entre outros;

Nó cego: pessoa difícil de se lidar ou conviver, chato, implicante;

Patureba: Pessoa sambanga, tola demais e mais lerda que o normal;

Pé de boi: pessoa muito esforçada e trabalhadora, lutadora (ex: nós!)!!!!

Perrengue: Pessoa que está baqueada, cansada e/ou lesada;

Pisteba: Pessoa sambanga, boba;

Pistolo: Alguém “jacú”, muito bobo;

Posar: o correto seria “pousar”, significando dormir na casa de alguém;

Puaia: Pessoa chata, enjoada e/ou irritante. Segundo minha avó, a origem do termo “puaia” está relacionada a uma fruta da região que recebe esse nome e tem gosto extremamente amargo;

Purgante: Pessoa amarga, que gosta de provocar os outros;

Pustema: Segundo as pessoas da “roça”, pustema é aquele machucado que dói, com sensação de latejamento. Associam, pois, às pessoas que machucam e apontam os pontos fracos dos outros;

QueemDeuspadi: Crê em Deus Pai;

Ronceiro: Vagaroso, lerdo;

Roncolho: Homem estéril;

Rudo – Aquele com dificuldade de aprender;

Rural: Tipo de jipe antigo da roça;

Sambanga: Um pistolo, jacú, pessoa boba;

Sapecar: Dar uma despistada, uma “carochadinha”, fazer coisas incompletas. (Ex: “fulano sapecou aquele relatório”);

Sobrecu (ou curanchim): rotuberância que as aves têm acima da cloaca; mitra, uropígio, da onde saem as penas do rabo do frango (segundo a minha avó, é a parte favorita do frango para comer, hehehe).

Suã – “Escadeiras” = Coluna lombar;

Sungar: Levantar (Ex.: “Sungar as calças”);

Trem: Uai! Trem é trem! Trem é tudo né?

Velhaco (pronuncia-se ‘veiaco’): pessoa ativa e curisca que adora tirar proveito das situações;

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Izabella Agostinho Pena

Written by Izabella Agostinho Pena

Brasileira, Mineira de "Belzonti" (sim, fazemos pão de queijo), cientista e sonhadora. Aventureira pelo mundo, seguindo o sonho da ciência e em busca da verdade. Doutora em Genética e trabalhando como pesquisadora pós-doutora no Canadá, de malas prontas para uma nova aventura no MIT a partir de Junho de 2018. Além da ciência, Izabella se interessa por educação, fotografia, poesia, esportes e cultura.

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