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Já ouviu falar de Aarhus? – Parte 2

Aarhus é realmente uma cidade encantadora e apenas um artigo não foi o suficiente para poder transmitir os vários aspectos desta cidade. Um dos intuitos aqui é relatar, na visão de uma brasileira, um pouco do que é viver por um período curto em um lugar tão diferente como é esta adorável cidade da Escandinávia, então segue a segunda e última parte.

Se você não conferiu ainda, certifique-se de ler também a Parte 1.

St. Jude, a tempestade de vento e a escuridão

Apesar de todo o conforto, aconchego e segurança descritos anteriormente pelo sentimento hygge que Aarhus promove, a Dinamarca não é somente sinônimo de tranquilidade.

Em Outubro de 2013 uma forte tempestade de ventos batizada de St. Jude , atingiu o país e pude testemunhá-la. A verdade é que durante o Outono, estas tempestades de vento são sempre muito comuns, então para os habitantes locais não foi algo extraordinário, apenas preocupante. No dia anterior o jornal já anunciava e as pessoas falavam entre si da possibilidade da tal tempestade, mas nunca em um tom alarmante. As recomendações eram apenas para que as pessoas estivessem cientes e tomassem todas as medidas preventivas contra potenciais acidentes. Acontece que esta tempestade acabou ceifando 17 vidas no norte da Europa. :/

Eu ainda estava no Laboratório, onde fazia a minha pesquisa, quando ela começou aos poucos a chegar. Era cerca de 15:30 e a maioria das pessoas já tinha ido embora seguindo recomendações, estava escurecendo muito rápido e ventava muito! Decidi ir embora também, mesmo porque eu tinha que pedalar até o lugar onde morava que não era longe. Quando sai da porta do prédio, dei de cara com algo inédito pra mim, as rajadas de vento eram muito fortes e era preciso andar curvada para frente. Tentei fazer um vídeo mas sem muito sucesso guardei a câmera e continuei andando com dificuldade até a minha bicicleta, que estava caída no chão como quase todas as outras. Voavam muitas folhas (afinal era Outono) em alta velocidade, formando vários pequenos redemoinhos perto das parede dos prédios. Subi na bicicleta e fiquei pensando se eu ia mesmo conseguir pedalar e de alguma forma consegui, mas foi no mínimo interessante. Ao chegar na residência estudantil em que morava, fui direto para a janela com a esperança de registrar um pouco daquela loucura (vídeo abaixo). Fiquei impressionada! As rajadas chegaram a 120 km/h em algumas partes de Aarhus e cerca de 190 km/h em outras partes da Dinamarca!!

A tempestade durou algumas horas, com rajadas intervaladas que duravam entre 5 a 15 segundos cada uma, o som era consideravelmente alto e estava bem escuro. Eu entendi muito bem que Aarhus está localizada em um país muito plano e em uma península, o que faz da cidade um cenário perfeito para a passagem violenta de uma tempestade como esta.

É difícil descrever em palavras uma tempestade de vento como esta, mas se um dia você estiver na Dinamarca na segunda quinzena de Outubro ou início de Novembro, pode vir a presenciar este espetáculo assustador da natureza! Certifique-se de estar protegido(a).

Além deste evento isolado, o que impressiona muito em Aarhus também nos meses frios, é a escuridão.

No início do inverno os dias são muito curtos, chegando a anoitecer por completo as 4 horas da tarde. O sol nasce por volta das 8 da manhã e toda esta falta de luz tem muitas consequências, no humor, no sono e nos costumes diários das pessoas. Não deve ser fácil ter que enfrentar meses de escuridão todos os anos! O uso de velas na Dinamarca extrapola a questão decorativa, é uma necessidade para compensar a falta de luz e também eliminar o uso de muitas lâmpadas incandescentes, que são prejudiciais a saúde. A luz natural do fogo das velas aparece nas janelinhas de praticamente todas as casas, a partir das 5 horas, o que contribui à aquele sentimento confortável mencionado anteriormente.

Outra coisa que vale mencionar e insisto em enfatizar quando conto da escuridão da Dinamarca, é que a escuridão do céu a noite parece ser de alguma forma, muito mais escura! Eu não sei se é pelo fato de Aarhus ser uma cidade relativamente pequena, portanto gerando menos luz, ou pela posição geográfica do país, mas sinceramente o escuro lá parece mais escuro, opinião não somente minha.

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Uma das principais quadras do centro de Aarhus. Se no verão estes cafés e bares ficam lotados de gente sentada ao lado de fora curtindo o sol, no inverno predominam o silêncio, a escuridão e o frio.
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Você percebe o escuro mais escuro do qual eu falo? Estas fotos estão sem nenhum filtro.

Passado o Outono, a tempestade e com a chegada do inverno, chega também uma ótima época para se estar em Aarhus!

Julefrokost em Dezembro:

Se você tiver o privilégio de passar o Natal no norte da Europa, certifique-se de dar um pulo em Aarhus nesta época! Além das tradicionais feirinhas, a cidade é repleta de restaurantes que oferecem o Julefrokost, um típico jantar de Natal que é servido somente nesta época do ano com as principais comidas típicas da Dinamarca servidas em 4 ou 5 etapas. O jantar não é barato, mas é sem dúvida uma das melhores formas de total imersão na cultura gastronômica do país! As refeições se constituem basicamente de dois tipos de carne: peixe e porco. Preparados no típico estilo nórdico os peixes são servidos crus ou fritos e o porco assado.

Nesta refeição não falta, entre outras coisas, o Smørrebrød, uma espécie de sanduíche de peixe, verduras e temperos sem a metade de cima do pão, ou seja, um sanduíche aberto que se come de garfo e faca, uma delícia! O jantar é tradicionalmente encerrado com Risalamande, uma espécie de pudim de arroz servido com calda de cerejas, não muito doce, bem consistente e cheio de sabor. Tudo uma delícia! Mas não esqueça de levar seu celular carregado com um bom tradutor para entender o que você está comendo conforme diz o menu.

Infelizmente não tenho fotos da refeição, apenas da minha cara de satisfeita depois do jantar andando pelas ruas do centro de Aarhus, muito segura e tranquila.

A paz e a segurança que se sente em uma pequena cidade da Escandinávia como Aarhus, te convidam a estar la fora, caminhando e apreciando tudo com calma e não importa o horário.

Aarhus Universitet em imagens 

Como pesquisadora visitante, minha experiência nesta prestigiosa Universidade não foi como aluna , mas durante os 3 meses em que estive lá tanto minha residência quanto o meu Laboratório estavam localizados dentro do Campus onde eu passava a maior parte do tempo.

O Campus é muito bonito, a atmosfera da Universidade é pacifica, e a tranquilidade de Aarhus com certeza está expressa lá também. Deixo então as imagens, que capturei no Outono e início do inverno, falarem por si.

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Seriados que retratam um pouco a cultura Dinamarquesa:

A cultura nórdica, mais especificamente dinamarquesa, é fascinante e muito diferente da nossa! Se você ficou curioso(a) para saber mais sobre esta cultura e história e se curte bons seriados, preciso indicar três (todos disponíveis no Netflix). O primeiro é The Bridge (Bron/Broen em sueco/dinamarquês), mas obviamente, a versão sueca/dinamarquesa e não a americana! Excelente seriado na minha opinião, onde entre outras coisas fica claro uma pequena rixa que existe entre os povos destes dois países. A qualidade de produção merece nota 10 e é muito gostoso ouvir os dois idiomas, além de ficar totalmente envolvido(a) nas histórias sombrias.

Outro seriado, não tão bom quanto The Bridge, é Dicte, que foi filmado inteiramente em Aarhus! Apesar da trilha sonora ser terrível, o seriado tem uma boa história e transmite muito bem o jeito dinamarquês de ser, vale o investimento de tempo pelo conteúdo cultural e não pela produção em si. No entanto certifique-se de começar por The Bridge.

Com certeza eu não poderia deixar de indicar Vikings! Prefiro não me aventurar em descrever este ótimo seriado, deixo apenas aqui a minha sugestão para assisti-lo.

Espero com este artigo ter passado uma boa parte desta experiência e deixado você curioso para um dia conhecer esta cidade. E para você que acompanhou as duas partes deste artigo, Tak for det , até a próxima! 🙂

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Written by Hellen Weinschutz Mendes

Nascida na boa safra de 1982 em Curitiba e residindo atualmente em Ottawa no Canadá. Bióloga, sempre curiosa, doutoranda, esposa, amante da natureza, apaixonada por viagens e dona de uma cachorrinha de orelhas macias.

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