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Leituras de Outubro

Uma nova linha de posts onde eu faço um breve comentário das leituras que fiz no mês. Outubro foi um longo mês de muitas leituras boas.

 A cruzada do monge  O batismo do rei

O batismo do rei e a cruzada do monge – dois últimos livros da trilogia de Max Gallo sobre a o surgimento do cristianismo na França por meio de três personagens: Martinho, o primeiro evangelizador dos gauleses; Clóvis, o bárbaro convertido que unificou a Gália e tornou-se o primeiro rei cristão;; e Bernardo de Clairvaux, o grande fundador da ordem cisterciense que preconizou a segunda cruzada. A obra é como se fosse um testamento espiritual de Gallo. Muito bem escrito e agradável de se ler.

The City and the Stars

The city and the stars – Arthur C. Clarke. O primeiro romance de Clarke, interessante para ver como suas ideias evoluíram e já percebemos a genealidade nas concepções de Clarke. Muito material para discussão: cidades perfeitas, imortalidade.

Mestre Gil de Ham

Mestre Gil de Ham – Tolkien. Tolkien é mestre, e mesmo nessa história com teor infantil, sua destreza na escrita fica evidente. Uma história despretensiosa, mas divertida.

The History of Science Fiction

The History of Science fiction – Adam Roberts – realmente uma surpresa. Um livro com uma tese muito interessante, segunda a qual o protestantismo foi responsável por fazer ressurgir a ficção cientifica – esquecida desde os gregos. Ao invés de ser um livro chato com datas e fatos, o argumento é muito bem costurado e a tolenada de autores apresentados na obra não fica nem um pouco cansativa. Uma leitura muito esclarecedora.

Musashi - Volume 1

Musashi – Eiji Yoshikawa– poucos livros sobrevivem à uma releitura e esse foi um deles. Se manteve entre os meu top five. Li após 14 anos da primeira leitura e a qualidade da escrita me surpreendeu novamente. Além é claro de uma história cheia de surpresas e de cultura japonesa digna dos melhores filmes e animes. E esse foi somente o primeiro volume de 3!

O Hobbit e A Filosofia

Hobbit e a filosofia (Gregory Bassham, org.– uma obra com altos e baixos, com qualidades de artigos bastante variadas, mas mesmo assim bastante interessante, tanto para quem gosta do Hobbit quanto para quem gosta de filosofia. O esforço de tornar a filosofia mais próxima dos leitores e mais compreensível foi alcançada, sendo um volume mais legível em comparação com “Bem vindo ao deserto do real – matrix e a filosofia”, por exemplo.

Eclipse of man

Eclipse of man – Charles T. Rubin – uma crítica aos movimentos trans-humanistas, com incursões à literatura (Huxley, Lewis, H.g.Wells, e Clarke), assim como a pintura. Também com argumentos muito bem expostos, procurando tecer as origens do pensamento trans-humanista. Uma crítica bastante sagaz, em que o progresso humano aponta para a extinção humana.

A Abolição do Homem

Abolição do homem – C. S. Lewis – lido exatamente um ano após a primeira leitura, continuo com a opinião que Lewis é o melhor expositor da fé cristã e crítico da modernidade. A ideia de que o controle da natureza na verdade é o controle do homem sobre o homem continua a ser impactante. E tem muita conexão com o livro anterior, uma vez que aquele autor explora os mesmos argumentos de Lewis ao tratar do trans-humanismo.

 

Senhor das Moscas

É a terceira vez que leio este livro. Li para o nosso grupo de discussão “inklings”. A discussão foi muito boa porque o livro, como uma alegoria, traz muitos símbolos. O tema central é a queda do homem e sua natureza pecaminosa, por si só, temas sobre os quais foram escritos centenas de livros. Uma bela obra.

As Consequências Morais do Crescimento Econômico

Um livro que já vinha lendo há alguns meses. Muito bem documentando e com argumentos interessantes. Fica evidente que uma mentalidade anti-capitalista não possui justificativas frente às evidências de que o capitalismo traz melhoras gerais. Claro que não se pode deixar de afirmar que o capitalismo também tem uma série de problemas, mas as melhoras sociais e morais são evidentes quando há crescimento. Outro livro muito bom pra se digerir aos poucos e pesquisar cada argumento apontado.

Prometeu desacorrentado

Gosto muito da linha weberiana de Landes. Aqui ele faz um histórico do desenvolvimento tecnológico desde a Revolução Industrial. Um ponto central, que perpassa toda obra, é a importância da educação nos países que se tornaram líderes industriais.

Que Fim Levou Juliana Klein?

Sou fã de romances policiais e desde que vi este livro fiquei com vontade de lê-lo. Presente do dia das crianças da minha mãe :), a história se desenrola em locais bem “caseiros” pra mim, UFPR, PUC e Batel, e se foca em professores de filosofia. A narrativa é bem construída e bem escrita e o final é, digamos, inovador. O autor foi corajoso no desfecho do livro, mas pra mim, foi uma leitura prazerosa e com um final decente. Falo isso porque outros romances policiais brasileiros que li foram bem frustrantes e esse superou expectativas.

Fiz boas escolhas de livros em outubro e nenhum foi ruim, alguns já vieram remanescentes de setembro. Aliás, faz tempo que não leio um livro ruim, ainda bem. Pesquisar antes de ler ajuda muito. 🙂

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Written by Adriano Borges

Historiador, professor na UTFPR, casado com a mosaicista Mabel e pai de dois filhos.

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