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Masculinidade: você tem noção de como isso é importante?

Qual a primeira imagem que vem a sua cabeça quando você ouve a palavra masculinidade?

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Na minha vem essa, mas não duvido que na cabeça de muitos venham imagens como a abaixo.

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Esse artigo não vai abordar o tema que a sociedade ocidental tem feito esforços agressivos para tornar o homem mais efeminado em seu âmago, por mais que algumas das razões alegadas sejam em parte verdadeiras, essa ação social tem feito estragos sem tamanho.

Diante dessa cruzada (busca da real masculinidade) me deparei com alguns bons questionamentos:

  • O que é ser homem?
  • O que é masculinidade?
  • Como cultivar uma masculinidade sadia?

O que é um homem?

Um homem é um ser humano do gênero masculino, um adulto, animal bípede da ordem dos primatas pertencente à subespécie Homo sapiens.

O que é masculinidade?

Em antropologia, a masculinidade se refere à imagem de tudo aquilo que seria próprio de indivíduos machos, principalmente em análises da sociedade humana.

De acordo com o Dicionário Collins, masculinidade é o que possui qualidades ou características típicas ou necessárias para um homem.

Muito importante: é claro que definir atributos e características em bases concretas aos termos masculino e feminino é uma tarefa delicada e praticamente impossível,  pois se analisarmos friamente os clássicos atributos masculinos como coragem, força, esforço entre outros também os encontraremos largamente entre as mulheres.

Existem diversos pontos de vista sobre esse tema, mas vou alinhar meu pensamento com os estudos do antropólogo David D. Gilmore que conduziu uma ampla pesquisa multicultural de como a masculinidade é percebida e vivida ao redor do mundo.

O que ele descobriu está longe de ser excepcional ou divergente, concepções do que um “homem de verdade” é feito são comuns e consistentes através do tempo e do mundo todo. Um código distinto de masculinidade está presente em praticamente todas as sociedades  na terra – seja agrícola ou urbana, pré-moderna ou avançada, patriarcal ou relativamente igualitária – esses códigos, invariavelmente, contêm os mesmos três imperativos; um homem que aspira a ser um homem deve proteger, procriar e prover.

Como esse assunto é algo extremamente interessante e vital, cuidaremos de cada um desses imperativos separadamente em próximos artigos – os 3P’s da Masculinidade. Porém hoje daremos uma breve pincelada em cada um deles

3 P’s da Masculinidade

Proteção

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A essência da proteção é a “necessidade de estabelecer e defender limites.

Limites criam um sentido de identidade e confiança. Caso essa linha seja cruzada, os homens vão entrar em ação.

Os homens são chamados para proteger o perímetro entre o perigo e segurança, proteger a tribo e família dos predadores, inimigos humanos e desastres naturais.

Um homem aumenta sua honra individual desenvolvendo e demonstrando sua destreza no papel de protetor. Ao mesmo tempo, ele reforça a reputação global de sua tribo e isso serve como uma forma de proteção em si.

O papel de protetor requer:

  • Força física e resistência
  • Habilidade no uso de armas e estratégias
  • Coragem – capacidade de permanecer firme, mesmo quando interiormente o medo está presente
  • Estoicismo físico e emocional – uma insensibilidade à dor física e frieza sob pressão
  • Aceitação voluntária e graciosa de sua descartabilidade – um homem se regozija no fato de que ele pode entregar sua vida em favor do seu povo
  • Demonstração pública de sua aptidão para o papel protetor – é importante não só demonstrar sua força e habilidade, mas para mostrar sua capacidade de resistência quando for golpeado

Razões históricas de porque ao homem foi dado esse papel:

  • Os homens, tem em média, maior força física do que as mulheres
  • Úteros são mais valiosos do que o esperma

Procriação

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O imperativo de procriar essencialmente exige que um homem aja como o grande conquistador de uma mulher,  consequentemente com sucesso a engravidando e, assim, gerando uma “família grande e vigorosa” que expanda sua linhagem, tanto quanto possível.

O papel procriador requer:

  • Que o homem aja como o iniciador na sedução
  • Virilidade e potência – a capacidade de manter uma relação sexual saudável
  • A capacidade de satisfazer sexualmente uma mulher
  • Fecundidade e ter tantos filhos quanto possível

Razões históricas de porque ao homem foi dado esse papel:

  • Testosterona em maior quantidade
  • Capacidade de ter muitos filhos e maior desejo de espalhar sementes

Prover

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A essência da provisão é a capacidade de domar a natureza,  transformar o caos em ordem e levar as matérias-primas obtidas e transformá-las em algo de valor. Ela envolve, como Gilmore coloca, “interpretação teleológica – comando e ação que acrescenta algo mensurável a sociedade“.

A caça é a “função de provisionamento por excelência” pois envolve todos os atributos viris (força física, domínio de ferramentas, disciplina e determinação, iniciativa, etc.) e é um ato criativo paralelo a batalha, esporte e sexo.

O papel provedor requer:

  • Contribuir com sustento da tribo/família (cerca de uma divisão 70/30% entre marido e mulher através épocas e culturas)
  • Desenvoltura – inteligência, capacidade de manobrar em torno de obstáculos, chegar a soluções criativas para os problemas, transformar recursos escassos em algo de valor
  • Desenvolver auto-suficiência – a dependência é vista como vergonhosa para um homem, porque isso representa que ele não é totalmente autônomom não podendo fornecer para os outros e ainda é dependente de sua família
  • Ser generoso com a sua comunidade – de um homem que faz bem para si mesmo é esperado algo de retorno

Razões históricas de porque ao homem foi dado esse papel:

  • Maior força física do que as mulheres (caça poderia ser extenuante)
  • Mais dispensáveis do que as mulheres (caça poderia ser fatal)
  • Necessário viajar longas distâncias de casa (que teria sido difícil para as mães grávidas ou mães com crianças pequenas)

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Os 3 P’s da Masculinidade enfatizam e, podemos dizer, exageram as potencialidades biológicas distintas dos homens, motivando-nos a canalizar esse potencial a serviço de um bem maior.

Os imperativos masculinos podem ser vistos como tendo uma natureza dual e propósito: ambos são deveres cívicos e caminhos de desenvolvimento pessoal que (se os pré-requisitos acima forem atendidos) simultaneamente beneficiam tanto o nível comunitário de um homem quanto o pessoal.

Nos dias de relativismo moral, ético e existencial eu fortemente acredito que os 3 P’s da masculinidade conseguem prover um norte, uma busca para o homem, um mapa e uma fonte de reflexão:

O quanto temos desenvolvido a característica de proteção? Temos cuidado de nossas famílias e nossas comunidades? Temos desenvolvido e identificado esses limites? O quanto você, homem, tem cuidado de seu físico e resistência? Temos sido bons galanteadores com o intuito de conquistar uma mulher e cultivar um relacionamento sadio? Temos buscado ser provedores constantes? Ou temos dependência de nossas famílias ou governo?

De uma forma bem sucinta acho que podemos através dessa simplificação ter um bom vislumbre do que é ser um homem, o que é masculinidade e como cultivá-la saudavelmente.

Boa jornada!

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Diego Mendes

Written by Diego Mendes

Um pensador, curador de conteúdo, desenvolvedor de sistemas de 36 anos que ama camelos e que tem buscado fazer a melhor jornada nessa vida. Sim, curador de conteúdo, parte do que escrevo são traduções de grandes artigos escritos em inglês ou espanhol.

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