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O que a música que eu ouço diz sobre minha vida?

Em algum momento você já parou para pensar em que a música pode se tornar?

Para mim, uma boa dica está no filme O Demolidor. Não aquele do herói da Marvel Comics, mas aquele dos brucutus Sylvester Stallone e Wesley Snipes. Apesar de ser um filme bem farofa, acredite, ele expõe algumas visões sobre o futuro que são bem interessantes! Além de falar sobre criogenia, fusão de cidades e novas formas de tecnologia, o filme também fala algo sobre música.

Em um determinado momento, o policial John Spartan (Stallone) pergunta sobre a música que está tocando no carro, e a resposta é que a música como ele conhecia não existia mais, e que agora, o que as pessoas ouvem e apreciam como música são jingles. Isso mesmo, jingles de propaganda!

Demolition Man
Você não entende loirinho? O cérebro deles se tornou inútil e agora eles acham que jingle é música!

Isso fez eu imaginar a cena de um cara parando o carro em um posto de gasolina, abrindo o porta-malas e colocando para tocar o jingle do Big Mac no último volume, repetidas vezes.

Será esse o rumo que a música está tomando? Talvez, não da para duvidar.

No entanto, o convite à reflexão não é para criticar esse ou aquele estilo ou estimular os saudosistas a ficarem remoendo lembranças e soltando frases batidas como “música boa é do meu tempo” ou ainda “não existe nada melhor que as músicas dos anos 80”. O propósito aqui é pensar se a música não está simplesmente refletindo a capacidade crítica das pessoas.

E se a música que temos hoje for o reflexo do que estamos nos tornando? E se for o reflexo daquilo que acabamos aceitando?

Quando eu penso em música, penso que ela tem propósito. Creio que música tem uma relação estreita com a sociedade, com as pessoas e que reflete o momento que elas estão vivendo. O movimento dos hippies, dos punks, o glam/eletrônico dos anos 80 e o grunge dos 90, por exemplo, tiveram um reflexo social e foram marcados profundamente pela música. Não era só uma moda e um som, mas tudo estava relacionado à forma de pensar e à atitude.

Diver
Pode ser difícil acreditar, mas esse cara não estava preocupado em fazer biquinho para a foto.

Com o passar dos anos esses movimentos perderam força. A mensagem e o significado deram lugar à imagem e à performance. As melodias e harmonias deram lugar à batida e ao “sonzinho legal” que na verdade é algo bem irritante. Cada vez mais tudo está se tornando sem sabor, opaco, plástico.

Existe ainda um detalhe muito importante, uma forma de pensar que foi colocada na cabeça das pessoas. A mídia apresenta algo que ela denomina música para a sociedade, mas não pede para ela gostar. Ela ajuda a criticar e ainda a rir daquilo. Isso mesmo! E qual é o resultado? “Essa música é uma porcaria, mas eu ouço porque ela é engraçada“. Esse tipo de pensamento leva o poder de crítica e escolha das pessoas ao nível mais ralo. Com o tempo, aquilo que ela simplesmente abominava se torna parte do seu dia a dia. Essa aceitação se estende para outras partes da vida da pessoa e pouco a pouco ela se torna alguém que se alimenta desse refugo que a mídia oferece, sempre confortada pelo pensamento de que na verdade, ela não faz parte daquilo.

Bloodhound Gang
Ah, mas o vídeo é tão engraçado…

Toda vez que vejo alguém curtindo “músicas” que nós gostamos de criticar, fico pensando no que levou essa pessoa a aceitar aquilo como música. As pessoas passaram de radicais, que só ouviam aquilo que era do seu gosto, para pessoas que aceitam qualquer coisa que é oferecida. Claro que a intenção não é generalizar, mas questionar o que nos faz abrir mão de uma opinião.

Penso se essa vida onde tudo parece ser necessariamente instantâneo não acabou fechando nossos ouvidos. Sim, eu tenho a sensação de que a música deixou de ser parte das nossas vidas para se tornar simplesmente algo que fica tocando no fundo. Uma trilha sonora enfadonha que não diz nada sobre nós nem sobre nada. Algo como uma televisão que é ligada quando se chega em casa. Não existe a intenção de assistir, então pode deixar passando qualquer coisa. Qualquer coisa pode entrar na minha vida. Qualquer coisa é melhor do que ouvir meus próprios pensamentos, até mesmo, um simples jingle de propaganda.

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Written by Chico Milk

Chico Milk nasceu em Guarapuava City Paradise. Um dos quatro seres viventes. Guitarrista low profile, amante de dias frios, chuvosos e cinzentos, bebedor nato de café com leite, leitor de livros e quadrinhos.

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